Compadre Zéfi é dono de uma curiosidade aguda, mas discreta. Ouviu pelo rádio a notícia, mão no queixo, os olhos apontados para o chão. Me olhou de banda, perscrutando alguma ironia. Seu estilo é velho conhecido, muita matutagem, economia no converseiro. Foi só um tempo mais tarde, mirando o horizonte, que escapou a conjectura: "que diabo os donos desse avião que caiu no meio do mar estão querendo ao mudar o número do vôo, que vai daqui pra França, de 447 pra 445? Acho que eles estão é gozando as caras dos defuntos". 
Escrito por Paulinho Saturnino Figueiredo às 15h53
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"Enfim, um homem lúcido nessa terra!", exclamou meu compadre Zéfi, com ênfase que não lhe é de hábito. Enquanto ele assoprava seu meio copo de café fervente, ouviu o doidão do Datena dizer, na manhã da Band, que esse jogador Kaká é bonzinho demais pra ser verdade, e que nunca compraria um carro usado em sua mão. Mais tarde um pouco, ouvi o compadre cantarolando coisa de seu querido Ataulfo Alves: laranja madura na beira da estrada tá bichada, Zé, ou tem marimbondo no pé
Escrito por Paulinho Saturnino Figueiredo às 13h01
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