Poema para a menina do vestidocurto
UMA BURCA PARA GEISY (autor não identificado)
Quando Geisy apareceu Balançando o mucumbu Na Faculdade Uniban, Foi o maior sururu: Teve reza e ladainha. Não sabia que uma calcinha Causava tanto rebu.
Trajava um mini-vestido, Arrochado e cor de rosa. Perfumada de extrato, Toda ancha e toda prosa, Pensou que estava abafando E ia ter rapaz gritando: "Arrocha a tampa, gostosa!"
Mas Geisy se enganou, O paulista é acanhado: Quando vê lance de perna, Fica logo indignado. Os motivos eu não sei, Mas pra passeata gay Vai todo mundo animado!
Ainda na escadaria, Só se ouvia a estudantada Dando urros, dando gritos, Colérica e indignada Como quem vai para a luta, Chamando-a de prostituta E de mulherzinha safada.
Geisy ficou acuada, Num canto, triste a chorar, Procurou um agasalho Para cobrir o lugar, Quando um rapaz inocente Disse: "oh, troço mais indecente, Acho que vou desmaiar!"
A Faculdade Uniban, Que está em último lugar Nas provas que o MEC faz, Quis logo se destacar: Decidiu no mesmo instante Expulsar a estudante Do seu quadro regular.
Totalmente escorraçada, Sem ter mais onde estudar, Geisy precisa de ajuda Para a vida retomar, Mas na novela das oito É um tal de molhar biscoito E ninguém pra reclamar.
O fato repercutiu De Paris até Omã. Soube que Ahmadinejad Festejou lá no Irã. Foi uma festa de arromba Com direito a carro-bomba Da milícia Talibã.
E o rico Osama Bin Laden, Agradecendo a Alá, Nas montanhas cazaquistãs Onde foi se homiziar Com uma cigana turca, Mandou fazer uma burca Para a brasileira usar.
Fica pra Geisy a lição Desse poeta matuto: Proteja seu bom guardado Da cólera dos impolutos, Guarde bem o tacacá E só resolva mostrar A quem gosta do produto.
Escrito por Paulinho Saturnino Figueiredo às 18h14
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O compadre Zéfi não deixa de ser um camarada sensível. Parou a xícara do cafezinho a meio caminho da boca e comentou o quão mimoso achara o pedido da Bia ao vovô Sarney. Presente? Grana? Nada disso, só um empreguinho para o namorado num canto qualquer do Senado. Fernando, seu pai, até dissera que a vaga "era nossa". Confesso que comovi-me também. Mas a Katinha, minha mulher, talvez em TPM, logo quebrou o clima. Contou do tombo da dona Marly, vovó da Bia, que tropeçara num tapete, e na queda quebrara o ombro. E disse: "vai ver que a turma que puxou o tapete do velho, também puxou o da velha". Plantou a dúvida. A se conferir.  
Escrito por Paulinho Saturnino Figueiredo às 18h07
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Sábia opção
Escrito por Paulinho Saturnino Figueiredo às 11h16
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Compadre Zéfi é dono de uma curiosidade aguda, mas discreta. Ouviu pelo rádio a notícia, mão no queixo, os olhos apontados para o chão. Me olhou de banda, perscrutando alguma ironia. Seu estilo é velho conhecido, muita matutagem, economia no converseiro. Foi só um tempo mais tarde, mirando o horizonte, que escapou a conjectura: "que diabo os donos desse avião que caiu no meio do mar estão querendo ao mudar o número do vôo, que vai daqui pra França, de 447 pra 445? Acho que eles estão é gozando as caras dos defuntos". 
Escrito por Paulinho Saturnino Figueiredo às 15h53
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"Enfim, um homem lúcido nessa terra!", exclamou meu compadre Zéfi, com ênfase que não lhe é de hábito. Enquanto ele assoprava seu meio copo de café fervente, ouviu o doidão do Datena dizer, na manhã da Band, que esse jogador Kaká é bonzinho demais pra ser verdade, e que nunca compraria um carro usado em sua mão. Mais tarde um pouco, ouvi o compadre cantarolando coisa de seu querido Ataulfo Alves: laranja madura na beira da estrada tá bichada, Zé, ou tem marimbondo no pé
Escrito por Paulinho Saturnino Figueiredo às 13h01
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Congresso de amputados
Hoje cedo, na GloboNews, o Secretário dos Esportes do Estado do Ceará propagandeava as virtudes cearenses para sediar uma nesga da Copa do Mundo de 2014. Falando sobre a infraestrutura, afirmou: "tivemos o cuidado de reunir mais de 70 técnicos, ligados ao Estado e ao município de Fortaleza, e eles fizeram um belo projeto a quatro mãos (sic!)"
Escrito por Paulinho Saturnino Figueiredo às 23h45
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Bom conselho
Dia desses, tomado pela euforia tão sua, o presidente Lula convocou-nos, a todos, para acabar com o lado podre da hipocrisia brasileira. Envolto de civilidade, meu compadre Zéfi saltou de sua rede e, agora que vai aceitando que não há mais vida sem internet, enviou email ao Planalto pedindo instruções e receitas. O compadre anda garantindo, aos que dele se aproximam, que a partir de agora só pretende usar o lado sadio de sua própria hipocrisia.
Escrito por Paulinho Saturnino Figueiredo às 19h12
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Era só o que faltava...
Se prosseguirmos na lógica dedutiva do Dr. Sanguinetti , célebre perito alagoano, e de uma doutora perita que dava uma forcinha na entrevista coletiva, chegaremos a conclusões originais e surpreendentes. Desconfio que esses peritos, contratados pelo pai do Alexandre Nardoni, tentarão provar que a pequena Isabella, após agredir cruelmente o pai e a madrasta, não suportando a culpa apelou para o gesto radical do auto-extermínio.   E a população indignada repudiará a memória da menina, e apedrejará seu túmulo.
Escrito por Paulinho Saturnino Figueiredo às 12h42
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Desinfetante midiático
No já idoso, e ora poético, Fantástico, da TV Globo, costuma aparecer um ente vestido de jaleco branco que se denomina Dr. Bactéria. Paranóico de nascença, ele parece ver o ser humano como um bicho destinado a sobreviver dentro de bolhas esterilizadas, e tenta impor seu olhar sobre o mundo dos normais, com especial dedicação às mães. Tudo leva a crer que ele cultiva o ódio a seus assemelhados, em especial àquelas bactérias mais corriqueiras e menos instruídas. Um ente chato e covarde. Meu compadre Zéfi aproveita a oportunidade e pede para perguntar se alguém conhece antídoto eficaz contra tal Doutor, ele só tem usado o controle remoto, mas acha pouco.
Escrito por Paulinho Saturnino Figueiredo às 16h41
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O fisioterapeuta não escondeu sua irritação. Ele está cheio de razão, sentenciou o compadre Zéfi, talvez contaminado pelo moralismo reinante. Aguarda-se, com ansiedade, a manifestação do Milan. O fato é que o Ronaldo Fenômeno, recuperando-se no Rio de cirurgia recente, voltou às atividades profissionais antes das devidas e necessárias autorizações.  Foi surpreendido mandando bola pra frente e levando bola por trás, e ainda tentaram levar uma grana para não denunciá-lo. O craque promete concentrar-se.
Escrito por Paulinho Saturnino Figueiredo às 23h20
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Respingos paraguaios
A Polícia Federal atolou o Ministro Silas Rondeau no lamaçal de corrupção que a Construtora Gaudama (nome dado em homenagem ao Buda, coitado!) deixa escorrer sobre o mundo dos políticos e dos gestores públicos. Em entrevista, o ministro disse que tudo é falso. A entrevista foi concedida no Paraguai. Tudo falso... Paraguai... Ops!... Faz sentido.
Escrito por Paulinho Saturnino Figueiredo às 10h28
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Conversa miúda
O cálice de pinga pela metade, olhar meio desintonizado, a sala invadida pelas imagens e sons do papa celebrando em Aparecida. Foi assim que o compadre Zéfi, quase em suspiro, deixou vazar o comentário: “o Lula e o papa não têm em comum apenas a certeza de serem representantes diretos de Deus na Terra!” Meu silêncio deve ter parecido interrogativo, pois ele prosseguiu em sua reflexão. Perguntou porque logo após elogiarem a tal de mídia, de reconhecerem que dependem dela para o sucesso das respectivas empreitadas, ambos baixaram o cacete na infeliz. Não demorou, e logo vimos que a resposta transcendia às meras competências de nossa conversa miúda.
Escrito por Paulinho Saturnino Figueiredo às 21h55
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Escorregando na TV
Meu compadre Zéfi e eu andamos meio caladões. Sinal dos tempos, quem sabe adesão inconsciente ao PED – Plano de Embotamentos Diversos -, quem sabe um sentimento equivocado de que em boca fechada não entra bala perdida. Não importa.  Estávamos ontem cedo contemplando pardais namorando no gramado, ao fundo a apresentadora loura zoava notícias da Globonews. De repente, saltamos nossas atenções. Disse a moça, enfática, chamando a matéria: - “a senhora Fany Moreira, de Teófilo Otoni, Minas Gerais, vai conhecer o quarto do Papa”. Ops! Que história é essa? Algo ameaçava se ressaltar do festival de repetecos. Durou um quase nada. Logo voltou aquela carinha, já de hábito desapontada, com a retificação: a senhora iria conhecer, em verdade, era o quarto Papa. É, faz diferença.
Mas riso bom foi agorinha mesmo. O Datena, na Band, cheio de si e de vigor, narrava, em detalhes, a chegada de Sua Santidade ao Brasil. Tudo certo se ele não tivesse confundido o avião, e o fizesse com uns 20 minutos de antecedência.
Escrito por Paulinho Saturnino Figueiredo às 16h05
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Para quem, como eu, ainda escava algum carnaval na telinha da TV, é bom aproveitar o desfile das Escolas de Samba de São Paulo. Ainda dá para ver sambistas e povo, ou melhor, como se passou a dizer, pessoas da comunidade. O desfile do Rio foi se fazendo insuportável. Quem ainda suporta ver o sacolejo onipresente da barriga do Jorginho Fernando? As coxas e os peitos marombados das garotonas e dos garotões globais? O concurso anual de decadência plastificada disputado, na Marquês de Sapucaí, pelas socialites e amantes de bicheiros e políticos? Ano que vem, prometo pensar melhor sobre aquele convite para um retiro espiritual.
Escrito por Paulinho Saturnino Figueiredo às 00h18
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Coisas do Pefelê
Meu compadre Zéfi, apesar de praticamente monoglota, estranhou a escolha. Ele sabe que, em francês coloquial, “pedê” é gíria fácil para se referir a boiola, veado, pederasta. Agora surge a notícia de que o velho Pefelê resolveu mudar de nome, para ver se muda o astral. Qual o novo nome? PD. Compadre, terminado o cafezinho, comentou, talvez nostálgico: - o mundo anda mesmo frouxo, já não se fazem coronéis nordestinos como dantes.
Escrito por Paulinho Saturnino Figueiredo às 00h00
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